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Nilópolis ganha sua Galeria Municipal de Artes

A Prefeitura de Nilópolis por meio das secretarias de Cultura e de Educação inaugura no dia 21 de novembro, às 18 horas, a Galeria Municipal de Artes Willy Voigt, apresentando a exposição “Africanidades na Baixada Fluminense – Contribuição do Negro na Formação da Identidade Brasileira”.

O evento compõe as comemorações da Semana da Consciência Negra que ocorrerá de 20 a 26 de novembro.

O nome da primeira Galeria de Arte pública da Baixada Fluminense homenageia Willy Voigt. Ele foi um artista plástico nascido na Alemanha, fundador e proprietário da mais antiga fábrica de brinquedos do Estado do Rio de Janeiro, e uma das primeiras do Brasil, a Fábrica de Brinquedos WIDA, que se localizava na Rua Emma de Abreu, atual Rua Professora Alaíde de Souza Belém, 159 fundos, Nilópolis. Nela trabalharam mais de 200 operários nilopolitanos entre as décadas de 1930 e 1970. Seus quadros, a maioria pintados nas décadas de 1940 e 1960, ainda podem ser apreciados em algumas coleções particulares de nossa cidade. Em julho de 2016 a Prefeitura de Nilópolis, entre outros bens culturais da cidade, tombou o prédio da antiga Fábrica de Brinquedos WIDA como Patrimônio Cultural Nilopolitano.

Outro aspecto que se impõe ressaltar, é a qualidade e importância do acervo apresentado na exposição Africanidades na Baixada Fluminense – Contribuição do Negro para a Formação da Identidade Brasileira, e seu significado para o aprimoramento dos conhecimentos, combater a intolerância religiosa e o preconceito racial, não só por parte dos alunos da rede pública municipal de ensino, mas de todos os interessados, na trajetória da raça negra em nossa região e país.




O acervo exposto é integrante das coleções de arte brasileira e africana de Marcus Monteiro, e foi formado a partir dos anos de 1980. Composto de livros, documentos, mapas raros, gravuras, fotografias, esculturas, mobiliário, peças arqueológicas e uma infinidade de objetos variados, é, indiscutivelmente, o mais impressionante e valioso acervo museológico existente em uma coleção particular, e mesmo entre as coleções de instituições públicas, em nossa região.

É um luxo, e ressalte-se, pela primeira vez na Baixada Fluminense, poder mostrar ao grande público, bronzes do Benin dos séculos XVIII e XIX, relicários e máscaras africanas raras, instrumentos usados por negros escravizados, mapas, com destaque para um manuscrito do século XVI, e gravuras originais produzidas pelos viajantes estrangeiros que estiveram no Brasil no século XIX, com destaque para as gravuras de Henry Chamberlain, Philipp Von Martius, Moritz Rugendas, Jean Baptiste Debret e Victor Frond. Igualmente auspicioso, é poder mostrar os originais da Revista Illustrada, do caricaturista e abolicionista, Angelo Agostini.




O acervo de arte sacra é outro tesouro que não posso deixar de sublinhar. A espetacular imagem de São Paulo, do século XVIII, de autoria de Mestre Valentim, e a Nossa Senhora do Rosário, padroeira dos “Homens de Côr”, do século XIX, de autoria de Joaquim José da Veiga Valle, são maravilhosas. Não menos impressionantes são as imagens afro-brasileiras esculpidas com o intuito de cultuar os orixás africanos por meio do sincretismo. Na sua singeleza, são lindas.

Outra peça de destaque que estará exposta, é o Cavalo de São Jorge, que compôs recentemente a exposição Rio Setecentista, no Museu de Arte do Rio – MAR. Seu autor é o renomado artista plástico iguaçuano Raimundo Rodrigues.




Para encerrar, destaca-se as peças que compõem a capa do catálogo da exposição. Detalhes de dois preciosos braceletes, um, milenar, do antigo Império de Ghana, e outro da cultura Dan, do século XVII. Máscara da tribo Punu, do Gabão. Na parte superior a palha da costa africana, e na de baixo, os fios de conta de Mãe Ciara de Oya, yalorixá do centenário Ilé Asé Omo Oya Silé, situado em Nilópolis.

O Catálogo da exposição também homenageia vultos importantes como João Candido – o Almirante Negro, que morou em São João de Meriti; Joãozinho da Goméia – O Rei do Candomblé, cujo terreiro ficava em Duque de Caxias; Solano Trindade – o Poeta Negro, que também residiu em Caxias; e Macedo de Moraes – o Griot da Baixada, de Nilópolis. A publicação também ressaltará casas religiosas de matrizes africanas e entidades relacionadas à cultura afro brasileira. Mãe Ignez D’Yansã estará apresentando o “Xiré com Axé” uma Roda com as Baianas do Candomblé para que todos possam sentir a energia através da dança, dos cantigos e do som dos atabaques.



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