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Juiz que mandou prender Cabral é nascido em Nilópolis

Desde que Sérgio Cabral (PMDB) foi preso, há um mês, o juiz Marcelo da Costa Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, está aprendendo a lidar com o seu nome constantemente estampado nos jornais.
Foto: Urbano Erbiste / Extra
Acostumado à pouca visibilidade do interior do estado — onde passou 15 anos — o magistrado, de 46 anos, foi elevado à condição de “Sérgio Moro carioca” após assinar a decisão que colocou o ex-governador “no topo da cadeia de comando da estrutura criminosa” que teria desviado R$ 224 milhões em contratos de obras. Em agosto, ele já tinha ganhado as manchetes ao condenar o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear, a 43 anos de prisão.

Filho de um comerciante e uma dona de casa, Bretas nasceu em Nilópolis, em 1970. Estudou no Colégio Renovação, em Nova Iguaçu, e cursou Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

— Como sou de uma família evangélica, nunca fui de bagunça. Na escola, fui um aluno mediano e escolhi fazer Direito sem muita convicção. Imaginava que ia acabar trabalhando no comércio, como o meu pai. Mas era um estudante esforçado na faculdade, tinha uma reputação a zelar perante à minha namorada — brinca o juiz.

No segundo período, ele conheceu a mulher que, cinco anos mais tarde, se tornaria sua esposa. Ela também é juíza federal e o casal tem dois filhos, de 15 e 13 anos. Pouco depois da formatura, passou no concurso para o Ministério Público estadual, onde atuou como promotor por dois anos.




Em 1997, Bretas virou juiz federal. Ele passou por varas em Volta Redonda, Três Rios e Petrópolis. Na serra, passou 12 anos e aproveitou para fazer o mestrado na Universidade Católica da cidade. Orientado pelo professor Cléber Francisco Alves, o juiz escreveu sua dissertação sobre os limites das interceptações telefônicas por parte do Estado.

— O Bretas foi um dos alunos mais dedicados que orientei. Sempre foi uma pessoa educada e serena. No meio do mestrado, tomou a iniciativa de estender os estudos no exterior — conta o professor, que também é Defensor Público em Petrópolis.

Nesta viagem de quatro meses a Genebra, na Suíça, o juiz participou da Missão Diplomática do Brasil na Organizações das Nações Unidas (ONU), onde discutiu sobre os direitos humanos.




‘Não tenho prazer em prender’

Para Marcelo Bretas, um juiz deve ser discreto e correto, mesmo quando isso significa desagradar a opinião pública. Ele acrescenta também que nenhum magistrado tem prazer em prender uma pessoa, seja ela um político famoso ou um cidadão comum:

— Só tenho prazer em soltar. Antes, porém, preciso analisar os fatos. Para mim, não faz diferença se é o Sérgio Cabral ou o João da Silva. É claro que sei que um caso como o do ex-governador vai repercutir, mas tento dar poucas entrevistas para não acharem que quero promoção pessoal — afirma o juiz, que tem tomado “precauções de segurança” desde então.




Um dos pontos de sua decisão que gerou comentários foi uma citação da Bíblia para justificar a prisão do ex-governador: “Por que será que as pessoas cometem crimes com tanta facilidade? É porque os criminosos não são castigados logo”.

— Procuro separar o trabalho da religião. Só citei esse trecho porque são versos do Rei Salomão. Não é só religioso, é histórico — explica Bretas, que frequenta a Comunidade Evangélica Internacional da Zona Sul.

Fonte: Jornal Extra




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