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Lerdeza tira a paciência de passageiros em Nilópolis

Quem é obrigado a usar os serviços da empresa de ônibus Vera Cruz já sabe que deverá ter uma dose extra de paciência e sair bem mais cedo para não se atrasar em algum compromisso. As viagens nos ônibus da empresa que atendem ao município de Nilópolis são o alvo das reclamações dos passageiros.

Concessionária das linhas 707 (Miguel Couto x Olinda) e 478 (Mesquita x Central), a empresa, de acordo com os usuários, vem obrigando os motoristas a fazer uma espécie de economia de combustível e com isso as viagens tiveram o seu tempo aumentado em pelo menos 30 minutos. A chamada "média de óleo", foi confirmada por motoristas da empresa, que optaram por não se identificar com medo de represálias. "Temos que cumprir um meta de consumo de óleo diesel por viagem, caso essa meta não seja cumprida, a gente perde benefícios ou há casos de profissionais que foram mandados embora. Na hora da demissão, eles não falam que é por essa razão, mas todos nós sabemos que é por isso sim", declarou um motorista.




A tal "média de óleo" vem sendo aplicada em muitas empresas de ônibus do Rio de Janeiro. De acordo com João Miranda, especialista em transportes, a mão de obra e o óleo diesel, representam 50% do custo de operação das empresas. "O consumo de combustível representa uma despesa enorme nas contas das empresas, por isso, a maioria delas vem se preocupando com esse gasto. Em geral, as empresas estabelecem metas e de acordo com elas, o profissional que atingir o cumprimento das mesmas, pode receber ou não determinados benefícios, ou ainda acelerar uma possível demissão", disse Miranda.

Miranda explica ainda, que para o passageiro não há nenhum benefício, pelo contrário, acaba até gerando prejuízos. "Mesmo com o programa de redução do gasto com combustíveis, a empresa não repassa essa economia ao passageiro. As tarifas continuam as mesmas e o serviço, em algumas, até piora, pois há redução na velocidade e o aumento no tempo de viagem. O certo seria investir em mais ônibus com ar condicionado e diminuição no tempo de espera pelos ônibus", explicou o especialista.

No caso da empresa Vera Cruz, apenas a linha 478 possui veículos com ar condicionado. A linha, começou a ser operada pela empresa em 2014, por força de uma determinação do Departamento de Transportes Rodoviários (DETRO), que cassou a licença da empresa Trans1000. Os usuários, alegam que o tempo de viagem, na Vera Cruz é maior que o tempo feito pelos ônibus da Trans1000. "Na outra empresa, eu levava 1h20 de Nilópolis até o Cajú, hoje levo mais de 2h para chegar até lá e não é culpa do trânsito não, é a lerdeza dos motoristas", disse Fábio Peixoto, usuário diário da linha, que já começa a pensar em usar outros meios para chegar ao trabalho na Zona Portuária do Rio. "Tem dias que prefiro pegar um ônibus e depois o trem, pois chego mais rápido desse modo do que com a Vera Cruz", finalizou.




Já na linha 707 que liga Olinda ao bairro de Miguel Couto, em Nova Iguaçu, passando pelo município de Belford Roxo, os usuários já até apelidaram a empresa de "Lerda Cruz", devido a vagareza das viagens. Os passageiros até já fizeram um comparativo entre a empresa e a sua concorrente no trecho Nilópolis - Belford Roxo. Para eles, a Nossa Senhora da Penha é a preferida. De acordo com eles, enquanto um ônibus da Vera Cruz leva 50 minutos para percorrer o trecho, os ônibus da linha 737 (Belford Roxo x Deodoro), levam apenas 35 minutos. Eles contam que é comum um ônibus da Vera Cruz chegar no ponto com 15 minutos de diferença e o ônibus da Nossa Senhora da Penha ultrapassar e chegar bem a frente em Belford Roxo. "Não pego mais os ônibus da Vera Cruz, prefiro esperar o 737, sei que mesmo que o 707 passe primeiro, com a Nossa Senhora da Penha eu acabo chegando mais rápido, sem contar no conforto, que na Vera Cruz é nenhum", alega Fátima Costa.





Motoristas "pagam o pato"

Entre a empresa e o passageiro fica o motorista, e acaba sendo ele quem recebe as reclamações e algumas vezes, passam por situações constrangedoras. Um motorista, que preferiu o anonimato, conta que já perdeu as contas das vezes que foi humilhado por passageiros e até por profissionais de outras empresas, por causa da "média de óleo", ele conta, que já está a procura de outra empresa para trabalhar. "Já estou correndo atrás de outra empresa, aqui a gente até é bem remunerado, nos tratam bem, mas não dá para conviver com as humilhações que passamos. Explico que não é minha culpa, que tenho que cumprir determinações, mas o passageiro quer chegar ao seu destino e ele sabe que estamos devagar, muitos passageiros já foram motoristas e sabem quando estamos "deitando" (gíria usada pelos rodoviários para uma viagem mais devagar), ai eles reclamam, xingam e até mesmo, quem dirige em outras empresas, passam pela gente e ficam sacaneando e até mesmo já teve caso de motoristas que ameaçam jogar a gente para fora da pista", disse o profissional.





Para a empresa, o problema na demora das viagens, estaria relacionada, as condições do trânsito. Quando se busca uma explicação para o aumento no tempo das viagens, os funcionários que atuam nos pontos finais das linhas, culpam os engarrafamentos pela demora, mas para o especialista em transporte público, João Miranda, não há como culpar só os engarrafamentos. "Como explicar que outras empresas conseguem chegar mais rápido, mesmo enfrentando o mesmo tipo de trânsito? E por que a economia, obtida com a "média de óleo" não é repassada em forma de melhorias para os usuários?", questiona João.



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